A morte branca do feiticeiro negro

sobrevivências possíveis de um testemunho liminar

Autores

  • Ricardo Lessa Filho Universidade Federal de Minas Gerais
  • Ângela Cristina Salgueiro Marques Universidade Federal de Minas Gerais https://orcid.org/0000-0002-2253-0374
  • Frederico Vieira Universidade Federal de Minas Gerais

DOI:

https://doi.org/10.29146/ecops.v25i2.27789

Palavras-chave:

Escravidão, Imagem-arquivo, Sobrevivência, Testemunho

Resumo

O texto elabora uma reflexão crítica acerca do documentário A morte branca do feiticeiro negro (2020), de Rodrigo Ribeiro, buscando evidenciar a potência testemunhal de uma carta de suicídio escrita em 1861 por um homem negro escravizado. A escritura fílmica confere a esse documento a força de um grito que faz ecoar a dor, o sofrimento, o dizer e o rosto dos negros escravizados. Silenciados pela aniquilação da memória de sua existência e da dignidade que os tornam humanos e enlutáveis, a narrativa nos oferece a chance de produzir uma resposta à enunciação da violência pelos “sem nome” da história. A sobrevivência das palavras registradas nesse documento histórico reabre as chagas mais profundas da história secular do genocídio do povo negro no Brasil.

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Publicado

2022-10-31

Como Citar

Lessa Filho, R., Salgueiro Marques, Ângela C., & Vieira, F. (2022). A morte branca do feiticeiro negro: sobrevivências possíveis de um testemunho liminar. Revista Eco-Pós, 25(2), 283–312. https://doi.org/10.29146/ecops.v25i2.27789