Da guerra de memórias:

antigos problemas e novas leituras

Autores

  • Silvana Seabra PUC Minas

DOI:

https://doi.org/10.29146/ecops.v25i1.27711

Palavras-chave:

Guerra de memórias, Identidade, Memória

Resumo

O artigo aborda o debate atual sobre memória na sua utilização por movimentos identitários contemporâneos, discutindo desde propostas que veem a lembrança coletiva como única, passando pelas discussões que privilegiam a dinâmica do lembrar e esquecer, resultando no reconhecimento das múltiplas narrativas memorialísticas, muitas vezes deflagrando uma verdadeira “guerra de memórias”. Destaca-se como parte desse processo a formação de espaços ampliados de memória, que se deslocaram dos horizontes nacionais para uma configuração global, cujo melhor exemplo é a memória representativa do Holocausto. A mesma cosmopolitização não apenas produziu uma redução semântica, que permitisse sua expansão, mas igualmente se tornou uma fonte contínua de conflitos. Conclui-se que os novos conceitos para o fenômeno da memória (cultural, posmemória, comunicativa, multidirecional, protética) não são apenas tentativas de tipificação, mas pretendem compreender limites de experiências entre lugares, entre temporalidades e mesmo entre modos diversos de elaboração da memória aos processos identitários.

 

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Biografia do Autor

Silvana Seabra, PUC Minas

É professora do Programa de Pós-graduação em Comunicação Social da PUC Minas. Doutora em Literatura Comparada (UFMG), com "doutorado Sandwich" (CAPES) no Romance Languages and Literatures Department (Harvard) e mestrado em Sociologia da Cultura (UFMG). Membro do Grupo de Pesquisa Mídia e memória - (DGP/CNPq). 

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Publicado

2022-06-21

Como Citar

Seabra, S. (2022). Da guerra de memórias:: antigos problemas e novas leituras. Revista Eco-Pós, 25(1), 437–458. https://doi.org/10.29146/ecops.v25i1.27711