Mulheres que não cabem na tela: a (in)visibilidade periférica na publicidade de utilidade pública sobre a Covid-19

Autores

DOI:

https://doi.org/10.29146/ecopos.v24i1.27618

Palavras-chave:

(in)visibilidade; Mulheres negras; Covid-19; Interseccionalidade; Publicidade Social de Interesse Público.

Resumo

A pandemia de Covid-19 escancarou as desigualdades atreladas ao gênero. São as mulheres que estão à frente dos cuidados em casa e nos hospitais, sofrem com o aumento da violência doméstica e são atingidas de maneira mais severa pela crise econômica. A estas assimetrias somam-se as produzidas em razão de raça e classe, cujos efeitos só se tornam visíveis a partir de uma perspectiva interseccional. É basilar que as mulheres, sobretudo as negras e pobres, deveriam estar entre as prioridades da comunicação pública em tempos de pandemia. Neste artigo, com base em noções semióticas, analisaremos as campanhas sobre Covid-19 veiculadas pelo Governo Federal no site do Ministério da Saúde em 2020. O objetivo é compreender se e como essas mulheres ganham visibilidade nas peças e em que medida esta comunicação, que deveria se pautar pelo interesse público, contribui para enfrentar os problemas cotidianos.

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Biografia do Autor

Carla Baiense Felix, Universidade Federal Fluminense

Professora do Departamento de Comunicação e pesquisadora vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Mídia e Cotidiano (PPGMC/UFF) da Universidade Federal Fluminense

Patrícia Gonçalves Saldanha, Universidade Federal Fluminense

Profª Drª Associada 2 da Universidade Federal Fluminense e membro Permanente do PPGMC - UFF (Programa de Pós-graduação em Mídia e Cotidiano). Vice-Coordenadora do GT de Cidadania do ALAIC (2012-2016), Coordenadora do GT de Cidadania do ALAIC (2016-2018), Coordenadora do Intercom Jr. Publicidade. (2015). Coordenadora do Intercom Jr. Cidadania(2016-2018). Experiência na área de Comunicação, com ênfase em Publicidade e Propaganda e Comunicação Comunitária. Fundadora e atual Líder do LACCOPS (Laboratório de Investigação em Comunicação Comunitária e Publicidade Social) e membro fundadora do INPECC (Instituto Nacional de Pesquisa em Comunicação Comunitária). Mestrado (2003) e Doutorado (2009) em COMUNICAÇÃO E CULTURA pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e atual Pós-doc em COMUNICAÇÃO E CULTURA ( Publicidade Sensorial).

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Publicado

2021-09-14

Como Citar

Felix, C. B. ., & Saldanha, P. G. (2021). Mulheres que não cabem na tela: a (in)visibilidade periférica na publicidade de utilidade pública sobre a Covid-19. Revista Eco-Pós, 24(1), 188–209. https://doi.org/10.29146/ecopos.v24i1.27618