Reticulações: ação-rede em Latour e Simondon

Autores

  • Pedro P. Ferreira

DOI:

https://doi.org/10.29146/eco-pos.v20i1.10406

Resumo

Este texto argumenta que a ideia simondoniana de “reticulação” permite um enriquecimento importante da concepção latouriana de “ação-rede”. Este enriquecimento consiste, principalmente, na explicitação de uma dimensão fundamental da ação-rede, que é muito frequentemente ignorada, em grande parte devido à ênfase de Latour no achatamento do social e na simetrização a priori de todas as agências. Trata-se da sua dimensão operatória e de seu sentido humano, i.e., no fato de que o ator-rede não é uma entidade ou estrutura, mas um movimento criativo, uma operação genética. Simondon consegue fazer essa explicitação de duas formas. Uma delas é esclarecendo que a verdadeira relação não é aquela entre entidades já individuadas (como numa rede social convencional), mas sim entre duas dimensões de um ser (o interior e o exterior de um agente) em processo de individuação. A outra é enfatizando que uma ação-rede é uma operação presente e localizada de transformação (tradução/transdução) de uma realidade envolvente (input) em uma realidade envolvida (output), e não uma configuração estrutural estável de agentes individuados. Parece claro que a ideia simondoniana de reticulação em nada ameaça as contribuições da Teoria Ator-Rede de Latour para as Ciências Sociais, antes permite amplificá-las.

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Publicado

2017-05-31

Como Citar

P. Ferreira, P. (2017). Reticulações: ação-rede em Latour e Simondon. Revista Eco-Pós, 20(1), 104–135. https://doi.org/10.29146/eco-pos.v20i1.10406

Edição

Seção

Dossiê