Chamade de Artigos (CFP) - Crises da democracia e desinformação: diagnósticos do tempo presente (v. 26, n. 1, maio/junho de 2023)

2022-12-19

Chamada de artigos (CFP) - Crises da democracia e desinformação: diagnósticos do tempo presente
Prazo de submissão: até 01 de março de 2023
Estimativa de publicação: v. 26, n. 1, maio/junho de 2023
Editor convidado: Wilson Milani (Doutor em Comunicação pelo PPGCOM/UFRJ)

Graves impasses ameaçam atualmente o desenvolvimento da democracia no Brasil e no mundo. Fala-se em uma situação de definhamento democrático em países que acompanharam a chegada ao poder de líderes identificados com ideologias autoritárias e regressivas. Diagnósticos do tipo “morte da democracia” se tornaram recorrentes em interpretações e análises políticas nos últimos anos. Termos foram cunhados na tentativa de designar a deriva autoritária em curso: “neofascismo”, “liberalismo totalitário”, “iliberalismo”, “democratura”, “populismo autoritário”, entre muitos outros. Com frequência, o esforço para qualificar a forma predominante que o autocratismo vem assumindo neste século tem ganhado uma formulação bastante singela: como foi que chegamos até aqui?

Nesse cenário, as plataformas digitais se tornaram espaço propício à organização de ataques aos valores e às instituções da democracia liberal por parte de partidos e movimentos de extrema direita. O “efeito de bolha” desses ambientes contribui para a radicalização política ao dar escala e alcance ao discurso de ódio que andava disperso pela sociedade. No caso brasileiro, a eleição para a Presidência em 2018 de um defensor da ditadura militar representou o fim da Nova República e do pacto democrático firmado pela Constituição de 1988. Jair Bolsonaro instalou uma espécie de “emergência democrática no país” ao longo dos quatro anos de seu mandato, valendo-se da institucionalidade e de um aparato de desinformação sem precedentes para acalentar seu projeto autocrático e personalista.

Para este número, a Revista ECO-Pós estimula o envio de artigos com estudos empíricos, históricos e teóricos a respeito dos seguintes temas: instituições da democracia, sociedade e desinformação; esfera pública algoritmizada, ativismos e informação política; novas direitas e emergência de partidos e movimentos digitais; o partido digital bolsonarista; o partido digital trumpista; líderes autoritários e guerras culturais; a “Internacional Autoritária” na era das plataformas e dos algoritmos: Estados Unidos, Rússia, Polônia, Hungria, Turquia e Brasil; definhamento democrático e ambiente informacional marcado pela pós-verdade e pelo discurso de ódio; “efeito de bolha” das redes, radicalização política e discursos antidemocráticos; a “imprensa agredida”: populismo de extrema direita e guerra aberta ao jornalismo profissional.