A Construção Subjetiva do Atingido pela Mineração

Cartografia Psicoterráticas e Luto Ecológico em Lavra

Autores

  • Caio Dayrell Santos UFMG
  • Marco Aurélio Máximo Prado UFMG
  • Luiza Quental

DOI:

https://doi.org/10.29146/ecops.v25i2.27905

Palavras-chave:

Mineração, Barragens de Rejeito, Documentário, Luto Ecológico, Cartografia

Resumo

Lavra é um documentário híbrido que tanto mapea os diferentes danos da atividade minerária em Minas Gerais quanto narra o processo de luto de uma personagem fictícia frente a morte de um Rio. Instigado pela ruptura da Barragem do Fundão em Novembro de 2015, o longa-metragem executa uma cartografia psicoterrática da catástrofe, descrevendo as transformações no território ocupado pelo extrativismo tanto a partir dos impactos ambientais e dos mudanças no próprio relevo da região, mas também a partir dos desejos e das subjetividades das pessoas que ali habitam. Nesse processo de elaborar o sofrimento, Lavra performa um luto ecológico em que a própria categoria de atingido se vê constantemente revisada e ampliada para abarcar a própria narradora que se vê engajada com as comunidades e paisagens que visita.

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Biografia do Autor

Marco Aurélio Máximo Prado, UFMG

Doutor em Psicologia Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo com experiência pós-Doutoral na Cátedra de Estudos Brasileiros na Universidade de Massachusetts/Amherst pela Fundação Fulbright. É professor associado IV da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Luiza Quental

Luiza Quental é mestra em Comunicação em Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (PPGCOM-UFRJ) e possui graduação em Comunicação Social com Habilitação em Cinema pela PUC-Rio. 

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Publicado

2022-10-31

Como Citar

Dayrell Santos, C., Máximo Prado, M. A., & Saldanha Marinho Quental de Almeida, L. . (2022). A Construção Subjetiva do Atingido pela Mineração: Cartografia Psicoterráticas e Luto Ecológico em Lavra. Revista Eco-Pós, 25(2), 48–72. https://doi.org/10.29146/ecops.v25i2.27905