Desequilíbrio Ecológico das Imagens

A importância das imagens oníricas para os processos de resiliência

Autores

DOI:

https://doi.org/10.29146/ecops.v25i1.27739

Palavras-chave:

imagem, sonho, resiliência, sociedade midiática, iconofagia

Resumo

Considerando o cenário atual da relação do ser humano com a imagem, sua natureza simbólica e suas dimensões endógena e exógena, refletimos no presente artigo sobre novos desdobramentos do fenômeno da iconofagia. Pensando o papel da imagem nos processos imaginários, o sonho é espaço de vivência das imagens endógenas. Levamos em conta a importância do trabalho com os sonhos para a saúde geral do indivíduo e da coletividade, como apontado por C. G. Jung e consideramos sua importância para a criação de estratégias de resiliência a partir dos moldes propostos por B. Cyrulnik. Adicionamos dados da neurociência que mostram a decodificação de imagens oníricas, o estabelecimento de diálogos com sonhadores durante o sono REM e a identificação de neurônios que respondem de maneira exclusiva a determinadas imagens visuais. O objetivo é propor uma reflexão crítica levando em conta o potencial das imagens simbólicas e os riscos da possível intervenção ideológica e econômica dos sonhos.

 

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Biografia do Autor

José Luiz Balestrini Junior, Universidade Paulista - UNIP

Possui graduação em Psicologia pela Universidade de São Paulo (2002). Pós graduação Lato Sensu em Medicina Tradicional Chinesa (2002 e 2003). Trabalhou na Duke University (Durham, NC, EUA) como Pesquisador Associado estudando os efeitos da Acupuntura em genes de expressão imediata em áreas específicas do cérebro. Esteve por diversas vezes na China aprofundando estudos no pensamento filosófico chinês com ênfase no taoismo. Pós graduação Lato Sensu em Psicologia Junguiana pelo Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa (IJEP) (2018). Pós graduação Lato Sensu em Psicossomática IJEP (em andamento). Membro analista em formação e docente do Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa (IJEP). Prática clínica de psicologia em consultório desde 2005 até o presente. Mestrando em Comunicação pela UNIP - Universidade Paulista. Autor do livro Tudo Verdade publicado pela Eleva Editora.

Malena Contrera, Universidade Paulista - UNIP

É doutora em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2001). Realizou pós-doutorado na Universidade Federal do Rio de Janeiro, sob supervisão do Prof. Dr. Muniz Sodré (bolsa CNPq, 2007-2008) e estágios de pesquisa em Sevilha, Espanha, sobre Política da Comunicação (2000), em Viena, Áustria, sobre Multiculturalismo e Mídia (1998) e em Berlin, Alemanha, sobre Mimese e Rituais Mediáticos (2010). É também especialista em Psicologia Junguiana (FACIS-IJEP, 2013) e terapeuta junguiana. Atualmente é professora titular dos cursos de mestrado e doutorado em Comunicação da Universidade Paulista. Foi durante vários anos (até 2006) professora da Faculdade de Comunicação e Artes da Universidade Presbiteriana Mackenzie, onde implantou e coordenou o curso de Jornalismo (1999 a 2004). Seus interesses de pesquisa são Teoria da Comunicação, Culturas Arcaicas, Cultura Contemporânea, Mídia Eletrônica (televisão em especial), Mitologia e Psicologia Junguiana. É autora dos livros O mito na mídia (1996), Mídia e Pânico (2002), Jornalismo e Realidade (2004), Mediosfera (2010) e de diversos outros artigos e capítulos de livros em coletâneas e revistas científicas, tanto no Brasil como no Chile e na Espanha. É membro do Centro Interdisciplinar de Pesquisas em Semiótica da Cultura e da Midia, da PUC/SP (CISC) desde sua fundação (1992), e atual líder do Grupo de Pesquisa em Mídia e Estudos do Imaginario, da UNIP (desde 2005). É bolsista de produtividade em pesquisa do CNPq.

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Publicado

2022-06-21

Como Citar

Balestrini Junior, J. L., & Contrera, M. (2022). Desequilíbrio Ecológico das Imagens: A importância das imagens oníricas para os processos de resiliência. Revista Eco-Pós, 25(1), 459–481. https://doi.org/10.29146/ecops.v25i1.27739