Booktubers: Elogio da Materialidade e do Compartilhamento

Autores

DOI:

https://doi.org/10.29146/eco-pos.v23i3.27580

Resumo

Booktubers são leitores majoritariamente jovens que se dedicam a fazer considerações sobre exemplares literários em canais do YouTube. Por meio da análise de seus vídeos, da promoção de um encontro de booktubers e da participação em outros eventos, observamos como é pungente o apreço pelos livros em papel. A ênfase em aspectos materiais dos exemplares (cores, texturas, acabamento etc.) nos possibilita percorrer dimensões do relacionamento entre livro e leitor que flertam com os trejeitos do colecionador benjaminiano. Diferentemente deste, contudo, os booktubers não constituem suas coleções como trincheiras e sim como janelas que nos permitem relativizar a estereotipia do jovem fechado em seu quarto.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Thaís Costa da Silva, Universidade Cândido Mendes, pesquisadora.

Doutoranda em Comunicação Social pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, mestre em História, Política e Bens Culturais pela Fundação Getúlio Vargas, especialista em Jornalismo Cultural pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro e em Turismo pela Fundação Getúlio Vargas, bacharel em Turismo pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Pesquisadora do Centro de Estudos Sociais Aplicados - CESAP, da Universidade Cândido Mendes.

Maria Isabel Mendes de Almeida, Universidade Cândido Mendes, coordenadora do Centro de Estudos Sociais Aplicados.

Pós-Doutorado em Sociologia pela Universidade Rene Descartes Paris V-Sorbonne,Doutorado em Sociologia pelo IUPERJ (Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro), Mestrado em Sociologia pelo mesmo Instituto e Graduação em Sociologia e Política pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro/ PUC-Rio. Atualmente é Pró-Reitora de Pós-Graduação e Pesquisa na Universidade Candido Mendes/UCAM, Coordenadora do CESAP (Centro de Estudos Sociais Aplicados) onde funciona o NES (Núcleo de Estudos em Subjetividade - dedicado à pesquisa das culturas jovens urbanas) e Professora do Departamento de Ciências Sociais da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro/ PUC-Rio.

Lilian Alves Gomes, Universidade Cândido Mendes, pesquisadora

Bacharel em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Minas Gerais. Doutora em Antropologia Social pelo Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro - PPGAS/MN/UFRJ, onde também obteve o mestrado. Realizou estágio (bolsa doutorado sanduíche) na École Pratique des Hautes Études. Atualmente é pesquisadora celetista do Centro de Estudos Sociais Aplicados da Universidade Cândido Mendes - CESAP/IUPERJ/UCAM.

Referências

Referências Bibliográficas

APPADURAI, Arjun. A vida social das coisas. As mercadorias sob uma perspectiva cultural. Niterói: Editora da Universidade Federal Fluminense, 2008.

BENJAMIN, W. Passagens. Belo Horizonte: Editora da UFMG, 2006.

______. Desempacotando minha Biblioteca: Um discurso sobre o colecionador. In: Rua de mão única. Editora Brasiliense. São Paulo, SP. 1987.

CANCLINI, Néstor García. “Leer en papel y en pantallas: el giro antropológico”. In: CANCLINI, Néstor García et al. Hacia una antropología de los lectores. Cidade do México & Madri: Ediciones Culturales Paidós & Fundación Telefónica, 2015, p. 1-38.

CHARTIER, Roger. Ler sem livros. Rio de Janeiro: CESAP/UCAM, 2018. (Conferência/Comunicação oral).

______. A aventura do livro: do leitor ao navegador. São Paulo: Unesp, 1999.

CRARY, Jonathan. 24/7.Capitalismo tardio e os fins do sono. São Paulo: Cosac Naify, 2014.

DARNTON, Robert. A questão dos livros. Passado, presente e futuro. São Paulo: Companhia das Letras, 1987.

DE CERTEAU, Michel. A Invenção do Cotidiano: vol 1. Artes de fazer. Petrópolis, RJ, Vozes, 2008.

ECO, Umberto & CARRIÈRE, Jean-Claude. Não contem com o fim do livro. Rio de Janeiro, Record, 2010.

GELL, Alfred. A rede de Vogel, armadilhas como obras de arte e obras de arte como armadilhas. In: Arte e Ensaios – Revista do Programa de Pós- Graduação em Artes Visuais. Escola de Belas Artes. UFRJ. ano VIII – número 8, 2001.

JEFFMAN, Tauana. Literatura compartilhada: uma análise da cultura participativa, consumo e conexões nos booktubers. Revista Brasileira de História da Mídia (RBHM), v.4, n.2, jul./2015 - dez./2015.

JENKINS, Henry. Cultura da Convergência. São Paulo: Aleph, 2008.

MCKENZIE, Donald F. Bibliography and the Sociology of Texts. Cambridge. 2004.

PAZ, Eliane Hatherly. Um livro de cabeceira e uma câmera na mão: circulação e consumo literários na contemporaneidade. XXVIII Porto Alegre: Encontro Anual da Compós, 2019.

PETIT, Michèle. Leituras: do espaço íntimo ao espaço público. São Paulo: Editora 34, 2013

PIC, Muriel. As Desordens da Biblioteca. Belo Horizonte: Relicário, 2015.

SANTAELLA, Lucia. 2004. Navegar no ciberespaço: o perfil cognitivo do leitor imersivo. São Paulo: Paulus, 2004.

SENNETT, Richard. O Declínio do Homem Público: as tiranias da intimidade. Tradução: Lygia Araújo Watanabe. São Paulo: Companhia das Letras, 1999.

_________. Juntos: os rituais, os prazeres e a política da cooperação. Tradução: Clóvis Marques – Rio de Janeiro: Record, 2012.

SHIRKY, Clay. A cultura da participação: criatividade e generosidade no mundo conectado. Rio De Janeiro. Zahar, 2011.

SIBILIA, Paula. O show do eu: a intimidade como espetáculo. Rio de Janeiro: Contraponto, 2016.

TOFFLER, Alvin. A Terceira onda. 29 ed. Rio de Janeiro: Record, 2007.

TURKLE, Sherry. Alone Together: Why We Expect More From Technology and Less From Each Other. New York, Basic Books, 2011.

Downloads

Publicado

2020-12-24

Como Citar

da Silva, T. C., de Almeida, M. I. M., & Gomes, L. A. (2020). Booktubers: Elogio da Materialidade e do Compartilhamento. Revista ECO-Pós, 23(3), 396–421. https://doi.org/10.29146/eco-pos.v23i3.27580