As bonecas do amor no Japão: (outros) corpos que importam em contextos de crise

Autores

DOI:

https://doi.org/10.29146/ecopos.v24i1.27538

Resumo

No Japão, as bonecas sexuais são chamadas love dolls ou bonecas do amor. Essa denominação revela uma multiplicidade de relacionamentos entre elas e os seus usuários, que vai muito além da prática sexual, apresentando modos de lidar com a solidão e as novas possibilidades para compreender os vínculos afetivos e seus processos comunicacionais. Há relatos de bonecas companheiras de viagens e de momentos de lazer, modelos para fotografias e maquiagens e, até mesmo, aquelas que são objetos de amor. O mercado cresceu tanto no Japão que a empresa Ningen Love Doll passou a organizar funerais específicos para bonecas, a exemplo do que já foi realizado com pets robôs. O objetivo deste artigo é demonstrar que a pesquisa sobre os afetos dos japoneses, por seres inorgânicos (bonecas, robôs, hologramas etc.), alinha-se com discussões em torno das novas materialidades e das questões de gênero, suscitando reflexões fundamentais para lidar com situações de crise que fazem repensar epistemologias da comunicação e do corpo. Em termos metodológicos, realizamos uma pesquisa de campo no Japão entre 2019 e 2020 e uma análise bibliográfica que reúne autores como Giard (2016), Esposito (2016), Perniola (2005), Braidotti (2013) e entre outros.

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Biografia do Autor

Beatriz Yumi Aoki, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUC-SP

Doutoranda e Mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP, bolsista CAPES PROSUP (taxa) e PDSE (Programa de Doutorado Sanduíche no Exterior) na Universidade de Tsukuba, no Japão.

Christine Greiner, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUC-SP

Christine Greiner é professora da PUC-SP. Autora dos livros Leituras do Corpo no Japão e Fabulações do Corpo Japonês, entre outros. Desde 1995, viaja ao Japão para estudar artes do corpo e filosofia.

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Publicado

2021-09-14

Como Citar

Aoki, B. Y., & Greiner, C. (2021). As bonecas do amor no Japão: (outros) corpos que importam em contextos de crise. Revista Eco-Pós, 24(1), 98–119. https://doi.org/10.29146/ecopos.v24i1.27538