O corpo suturado: Interfaces sonoras e a construção das condições de audibilidade dos jogos digitais

Autores

DOI:

https://doi.org/10.29146/eco-pos.v23i3.27451

Resumo

A dimensão audível dos jogos digitais nos fala sobre a tecnocultura contemporânea e as reconfigurações na atual ecologia das mídias. Neste artigo propomos observar alguns destes rearranjos através de uma exploração tentativa das condições de interfaceamento estabelecidas pelos jogos digitais através do design de som. Por meio de uma abordagem mídia-arqueológica, observamos como os modos de organizar o material sonoro, sobretudo no design de jogos digitais em primeira e terceira pessoa, participam na criação dos seus mundos audiovisuais jogáveis. Iniciamos o texto com uma breve exploração conceitual do termo interface para, então, articularmos o design de som dos jogos com formatos audiovisuais pregressos. Em seguida, realizamos a análise dos modos particulares por meio dos quais computador e humano são interfaceados através do som nos jogos digitais, e conjeturamos como as interfaces tornam manifestas reconfigurações latentes na cultura contemporânea.

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Biografia do Autor

Eduardo Harry Luersen, Unisinos

Doutor em Ciências da Comunicação pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos, com estágio de sanduíche realizado no Gamification Lab (Leuphana Universität Lüneburg). O texto é vinculado à pesquisa Ressonância tecnocultural: rastros da ambiência contemporânea nas sonoridades dos jogos digitais, recentemente concluída. A pesquisa recebeu o apoio de CNPq, Capes e DAAD.

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Publicado

2020-12-24

Como Citar

Luersen, E. H. (2020). O corpo suturado: Interfaces sonoras e a construção das condições de audibilidade dos jogos digitais. Revista Eco-Pós, 23(3), 308–338. https://doi.org/10.29146/eco-pos.v23i3.27451