As semioses do “tornar-se” negra em “Mulheres em Transição”

Autores

DOI:

https://doi.org/10.29146/ecopos.v24i1.27399

Resumo

Este artigo coloca em discussão o ato de assumir a identidade negra por meio da transição capilar representado na websérie “Mulheres em Transição”. Analisamos, a partir da semiótica peirceana, os capítulos das duas temporadas do conteúdo de marca veiculado pela Salon Line, por meio da marca Todecacho, verificando como a narrativa da websérie aborda cinco semioses sobre os cabelos crespos e cacheados: 1) negação dos cabelos naturais (semioses prévias); 2) início da transição capilar (primeira semiose apresentada); 3) transição capilar (segunda semiose apresentada); 4) reconhecer beleza nos cabelos naturais (terceira semiose apresentada); 5) motivar outras mulheres a aderirem ao uso dos cabelos naturais (semiose posterior). A análise aciona conceitos teóricos sobre a identidade das mulheres negras, em uma perspectiva interseccional, para discutir o “tornar-se negra” a partir dos cabelos crespos e cacheados, em um contexto de centralidade do capitalismo e do consumo.

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Biografia do Autor

Pablo Moreno Fernandes, Universidade Federal de Minas Gerais

Docente do Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal de Minas Gerais. Doutor em Ciências da Comunicação pela ECA USP, Mestre em Comunicação pela PUC Minas, publicitário pelo Centro Universitário Newton Paiva.

Dalila Maria Musa Belmiro, Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais

Docente do Departamento de Comunicação Social da PUC Minas. Mestre em Comunicação pela PUC Minas, publicitária pela PUC Minas.

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Publicado

2021-09-14

Como Citar

Moreno Fernandes, P., & Belmiro, D. M. M. (2021). As semioses do “tornar-se” negra em “Mulheres em Transição”. Revista Eco-Pós, 24(1), 257–281. https://doi.org/10.29146/ecopos.v24i1.27399

Edição

Seção

Perspectivas