Somos todos mestiços: visibilidade e naturalização do racismo na campanha “Somos Todos Macacos”

Autores

  • Fernanda Bastos Pires UFRGS
  • Maria Helena Weber UFRGS

DOI:

https://doi.org/10.29146/eco-pos.v21i3.20272

Resumo

Resumo - Esse artigo analisa campanha lançada a partir de um caso de ofensa racial contra o jogador de futebol Daniel Alves. Propagada pelo também atleta Neymar Jr., a campanha Somos Todos Macacos tentava responder ao problema global dos discursos de racismo em estádios e obteve grande repercussão nas redes sociais e cobertura midiática. A tentativa de inserir um tema tabu por meio de slogan teve êxito ao alcançar gigantesco engajamento virtual, mas também gerou controvérsia, especialmente após a descoberta que esse tema de interesse público foi trazido à cena pública por meio de uma estratégia de agência de publicidade. A partir da noção de “paradoxo da visibilidade”, constata-se que, apesar de obter visibilidade, a estratégia sucumbe ao tentar simplificar um tema complexo sugerindo ação privada em um problema social que necessita de ação coletiva. A conclusão é de que a naturalização do racismo e o ideal de miscigenação no Brasil engendram a manutenção de discursos racistas, mesmo quando a tentativa é de insurgência contra eles, caso da campanha Somos Todos Macacos.

Palavras-chave: Visibilidade; Comunicação; Racismo; Campanha.

 

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Publicado

2018-12-26

Como Citar

Pires, F. B., & Weber, M. H. (2018). Somos todos mestiços: visibilidade e naturalização do racismo na campanha “Somos Todos Macacos”. Revista Eco-Pós, 21(3), 58–74. https://doi.org/10.29146/eco-pos.v21i3.20272

Edição

Seção

Dossiê