A solidão das meninas negras: apagamento do racismo e negação de experiências nas representações de animações infantis

Autores

DOI:

https://doi.org/10.29146/eco-pos.v21i3.20239

Resumo

Este artigo analisa representações, imagens e afetos da infância feminina negra na mídia. Para isso, foram mapeadas e investigadas seis meninas negras protagonistas de desenhos animados exibidos pela TV a cabo no Brasil. Com a perspectiva culturalista e o aporte teórico dos estudos feministas e de raça, verificamos por meio de análise fílmica como as animações lidam com o imbricamento entre raça, gênero e infância, produzindo efeitos de solidão e silenciamento. Além disso, este trabalho busca questionar a ideia de menina negra, os recentes discursos em torno do empoderamento das meninas para o desenvolvimento global e os afetos acionados pelos produtos midiáticos em análise, colocando-os em diálogo e em tensão com a realidade vivida por meninas negras brasileiras, duramente atravessada pelas desigualdades de gênero, raça e classe.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Karina Gomes Barbosa, Universidade Federal de Ouro Preto

Karina Gomes Barbosa é professora do curso de Jornalismo e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Temporalidades da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop). Suas pesquisas giram em torno de estudos feministas, afetos, representações e narrativas no jornalismo e no audiovisual.

Francielle de Souza, Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop).

Francielle de Souza é graduada em Jornalismo pela Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop).

Referências

ANG, Ien. Watching Dallas. Soap opera and the melodramatic imagination. Londres: Routledge, 1985.

ARAUÌJO, Joel Zito. Criança negra na televisão brasileira. Rio de Janeiro: Rio MiÌdia, 30/5/2007. Disponível em <https://papodemacumba.blogspot.com/2010/12/crianca-negra-na-televisao-brasileira.html>. Acesso em 17 ago. 2018.

ÀRIES, Philippe. História social da criança e da família. 2.ed. Tradução de Dora Flasksman. Rio de Janeiro: Livros técnicos e científicos Editora S. A., 1981.

BIROLI, Flávia; MIGUEL, Luís Felipe. Gênero, raça, classe: opressões cruzadas e convergências na reprodução das desigualdades. Mediações, Londrina, v. 20 n. 2, P. 27-55, jul./dez. 2015.

BRAH, Avtar; PHOENIX, Ann. Não sou uma mulher? Revisitando a interseccionalidade. In: BRANDÃO, Isabel; CAVALCANTI, IIdney; COSTA, Claudia de Lima; LIMA, Ana Cecilia A. Traduções da Cultura: Perspectivas Críticas Feministas 1970-2010. Florianópolis: Editora Mulheres, 2017.

BRASIL. Lei Nº 8.069, de 13 de julho de 1990. Estatuto da Criança e do Adolescente. Brasília, DF, jul 1990.

BUCKINGHAM, David. Crescer na era das mídias eletrônicas. São Paulo: Edições Loyola, 2007.

BUTLER, Judith. Mulheres como sujeito do feminismo. In: Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. Tradução de Renato Aguiar. Rio de Janeiro: Civilização brasileira, 2003. p. 17-24.

COLLINS, Patricia Hill. Black feminist thought: knowledge, consciousness and the politics of empowerment. 2a ed. New York and London: Routledge, 2002.

________. Aprendendo com a outsider within: a significação sociológica do pensamento feminista negro. Sociedade e Estado, [S.l.], v. 31, n. 1, p. 99-127, dez. 2016.

CRENSHAW, Kimberlé. Documento para o encontro de especialistas em aspectos da discriminação racial relativos ao gênero. Estudos Feministas, Florianópolis, v. 10, n. 1, p. 171-188, jan. 2002.

DAVIS, ANGELA. Mulheres, raça e classe. Tradução Heci Regina Candiani. 1a ed. São Paulo: Boitempo, 2016.

ELIAS, Norbert. A Solidão dos Moribundos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2001.

FRASER, Nancy. Fortunes of feminism. From state-managed capitalism to neoliberal crisis. Londres/Nova York: Verso, 2013.

GOUVEA, Maria Cristina Soares de. Infantia: entre a anterioridade e a alteridade. In: VIANNA, Graziela Valadares Gomes de Mello et al. (orgs). A infância na mídia. Belo Horizonte: Autêntica, 2009.

HALL, Stuart. Representation: cultural representations and signifying practices. Londres: Sage, 1997.

hooks, bell. O olhar opositivo -- a espectadora negra. Tradução de Maria Carolina Morais. Fora de quadro, 26 mar. 2017. Disponível em < https://foradequadro.com/2017/05/26/o-olhar-opositivo-a-espectadora-negra-por-bell-hooks/> Acesso em: 13 ago. 2018.

KILOMBA, Grada. A máscara. Piseagrama, Belo Horizonte, número 11, 2017. Disponível em: <https://piseagrama.org/a-mascara/>. Acesso em: 28 ago. 2018.

KOFFMAN, Ofra; GILL, Rosalind. “The revolution will be led by a 12-year-old girl”: girl power and global biopolitics. Feminist review. 105, p. 83 - 102. 2013.

LORDE, Audre. Olho no olho: Mulheres negras, ódio e raiva. Trad. Stephanie Borges. Serrote, São Paulo, n. 29, p.48-83, jul. 2018. Quadrimestral.

MCROBBIE, Angela. Feminism and youth culture -- from Jackie to Seventeen. Houndmills e Londres: Macmillan Education, 1991.

NUNES, Mighian Danae Ferreira. Cadê as crianças negras que estão aqui?: o racismo (não) comeu. Latitude, vol. 10, n. 2, 2016. p. 383-423.

SODRÉ, Muniz. Sobre imprensa negra. Lumina - Facom/UFJF - v.1, n.1, p.23-32, jul./dez. 1998.

STEINBERG, Shirley; KINCHELOE, Joe L. Sem segredos: cultura infantil, saturação de informação e infância pós-moderna. In: STEINBERG, Shirley; KINCHELOE, Joe L. (Orgs.). Cultura Infantil -- a construção corporativa da infância. Tradução de George Eduardo Japiassú Bricio. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2001.

Downloads

Publicado

2018-12-26

Como Citar

Gomes Barbosa, K., & de Souza, F. (2018). A solidão das meninas negras: apagamento do racismo e negação de experiências nas representações de animações infantis. Revista Eco-Pós, 21(3), 75–96. https://doi.org/10.29146/eco-pos.v21i3.20239

Edição

Seção

Dossiê