A crise do Antropoceno, da mediação simbólica ao aterramento como saída trágica
DOI:
https://doi.org/10.29146/eco-ps.v29i2.28629Palavras-chave:
Antropoceno, Capitalismo Comunicacional, Fantasia Ideológica, Trágico, AterramentoResumo
Este artigo examina o Antropoceno como uma crise simultaneamente ecológica e semiótica, sustentada pelos dispositivos do capitalismo comunicacional. A partir da articulação entre teoria do discurso, psicanálise lacaniana e crítica da midiatização, investiga como a degradação planetária é recodificada em métricas, narrativas e dispositivos de gestão que buscam neutralizar o antagonismo político. Com base em autores como Dean, Latour, Laclau, Mouffe e Lacan, argumenta-se que o capitalismo contemporâneo opera por fantasias de completude, participação e desmaterialização, apoiadas na circulação acelerada de signos, dados e afetos. Em contraponto, os data centers são compreendidos como irrupções do Real que expõem a materialidade ocultada da comunicação digital. Conclui-se que enfrentar o Antropoceno exige reinscrever a política na experiência da finitude, do antagonismo e do desamparo.
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