Capitaloceno e a cibernética como destino
Inteligência artificial e a desintoxicação decolonial
DOI:
https://doi.org/10.29146/eco-ps.v29i1.28587Palavras-chave:
cibernética, inteligência artificial, Capitaloceno, governamentalidade, crítica decolonialResumo
Este artigo propõe uma leitura crítica da inteligência artificial como expressão contemporânea da racionalidade cibernética, consolidada no Capitaloceno como regime técnico que converte a vida em fluxos de cálculo, predição e controle. A cibernética é discutida como ruptura epistemológica que dissolveu a separação entre sujeito e sistema, instaurando novas formas de regulação e poder. A IA aparece como culminância desse processo, operando como dispositivo algorítmico de captura da experiência e de automação da governamentalidade. Contra essa destinação, afirma-se a necessidade de desintoxicar a cibernética, entendendo a técnica como pharmakon e reorientando-a politicamente sob o horizonte do giro decolonial. Essa desintoxicação implica romper com o universalismo moderno e reinscrever a técnica em ecologias pluriversais capazes de enfrentar a violência epistêmica e a homogeneização capitalística, abrindo espaço a outras racionalidades e modos de existência.
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